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Macrotendências e Microtendências

Em 2017, o Sebrae iniciou um trabalho que visa elencar as principais macrotendências em negócios e em como elas afetam, inclusive, os pequenos negócios …




Macrotendências são aquelas com maior amplitude, tanto no alcance geográfico como no temporal. Elas costumam ter caráter global ou nacional, no mínimo, e podem durar décadas. A tendência está ligada a um comportamento de consumo, que é o que as pessoas devem seguir num futuro próximo. É nisso que quem está interessado em abrir um negócio deve estar atento.

Além das macro, existem também as microtendências, que geralmente são modismos.  É uma segmentação da macrotendência, mas que geralmente têm período de duração curto e atingem escalas menores. No Brasil, pudemos observar, por exemplo, modismos como as lojas de Frozen Yogurts e de paletas mexicanas, que tomaram conta das ruas e logo começaram a perder força. Investir em modismos não é necessariamente algo ruim, mas é preciso ser feito de forma consciente.

É preciso até um certo nível de desapego quando um negócio é claramente um modismo, porque em pouco tempo ele deve perder espaço no mercado. Muitos acabam perdendo dinheiro porque quando resolvem investir em um negócio desses, a moda já está passando.

Para começar a ver as oportunidades, é preciso se perguntar quais as expectativas ainda não atendidas nos mercados. E aí, são identificadas, atualmente, quatro macrotendências que já devem ser sentidas em 2018:

A primeira diz respeito à economia sustentável, que deixou de ser um modismo para ser algo essencial para as empresas. Há uma preocupação com a exploração de recursos naturais, englobando toda questão de consumo ético e consciente, valores e transparência da empresa quanto estes pontos. Um exemplo deste tipo de negócio é a locação de veículos por meio de assinaturas mensais, que já começou a ser explorado fora do Brasil. A Volvo lançou recentemente nos EUA um carro que não é vendido e a pessoa paga por mês para utilizá-lo.

Em seguida, vem a questão de proporcionar uma experiência única ao consumidor.  As pessoas buscam cada vez mais humanização, criatividade e customização. É uma macrotendência muito importante e quem vai abrir um negócio deve buscar proporcionar uma experiência diferenciada.

Os serviços de conveniência também seguem em alta, tendo em vista que as pessoas têm cada vez menos tempo disponível. Nós compramos tempo. Todo serviço que vem para suprir isso costuma acertar em cheio. Serviços de entrega que oferecem uma porção de opções, como alimentação, farmácias e lavanderias estão entre os destaques.

E, por último, a macrotendência da ultraconectividade, que utiliza a tecnologia para oferecer a solução de um problema. Existem aplicativos para celular já voltados para isso, nos quais você consegue, por exemplo, contratar um serviço de forma rápida e simples ou até fazer trocas de produtos e serviços na vizinhança.

Acompanhar estas macrotendências é essencial para o desenvolvimento e crescimento dos negócios. É uma maneira mais ampla de se guiar, vai além de dicas específicas. No mundo de hoje, é preciso estar atento a tudo que acontece ao redor.

Opções de negócios

Um dos setores em alta há algum tempo e que deve se manter assim em 2018 é o da educação. Cursos profissionalizantes ou livres, cursos universitários à distância e aulas de inglês são alguns exemplos.  Este setor nitidamente vai continuar porque as pessoas querem aumentar sua empregabilidade, percebem que precisam se educar e desenvolver habilidades num mercado altamente competitivo.

O mercado de alimentação, que sofreu um pouco em 2014 e 2015, volta a ganhar força, em especial os focados em alimentação saudável ou em restrições alimentares.  Restaurantes e lanchonetes focados em produtos orgânicos, sem glúten ou sem lactose têm tido bastante espaço.

No varejo, também demonstram força os segmentos de cosméticos e beleza. Já o segmento de moda está enfraquecido há alguns anos.

A prestação de serviços em geral deve ter um aumento, em especial nos serviços de conveniência. Outro negócio que está em ascensão é o de clínicas populares, odontológicas e médicas. Muita gente perdeu o plano de saúde porque perdeu o emprego e não tem condições de pagar, então tem prosperando estas clínicas que oferecem consultas mais baratas. Mas tem como temos visto aparecer muita coisa nesta área, é preciso tomar cuidado para ver se não vai ter muito concorrente.

Um mercado que deve começar a prosperar em 2018 e que é muito pouco explorado ainda no Brasil é o voltado para a população idosa. Com o envelhecimento da população, faltam espaços voltados para este público. Muitos pensam apenas em cuidadores porque a imagem que existe do idoso é de uma pessoa frágil, mas isso não é mais verdade. As oportunidades estão nas casas de repouso, que não necessariamente existem apenas para hospitalização, mas para atender outras necessidades, como por exemplo destas pessoas terem companhia, socializarem, manterem-se ativas.

Há 30 anos os consumidores a partir de 50 anos sequer figuravam nas pesquisas de negócios, pois a expectativa de vida era menor.  Hoje é um outro público, até é dito que o homem que vai viver 120 anos já nasceu. Estamos preparados para atender? Muitos já criaram seus filhos, já têm uma condição financeira boa e querem gastar o dinheiro que possuem. Estes serviços existem, mas ainda estão arranhando a superfície, mas é só uma questão de tempo até serem essenciais.

Os mercados de nicho, aliás, devem receber atenção, não só em relação aos idosos. Em especial estes que vemos que são de nicho mas apresentam um crescimento significativo entre a população, como é o caso do público LGBT. Muitos casais LGBTs possuem duas rendas e não têm filhos, ou seja, existe um poder de consumo significativo entre estas pessoas e são poucos os negócios voltados para elas.

Para quem tem a ideia, o conhecimento mas falta dinheiro para investir, buscar um sócio pode ser uma boa jogada. Às vezes não precisa nem ser um sócio atuante, mas um investidor-anjo. Financiamentos também ajudam, mas trazem o risco pois você cria uma dívida com o banco.

Seja qual for o negócio, investir em tecnologia é essencial no mundo de hoje. Vejo boas ideias, bons negócios, muita empolgação em empreender, mas há falta de emprego de tecnologia. E hoje em dia nós vivemos com o celular na mão, então é preciso estar atento a isso. Não é só ter um site bonitinho, mas ter toda a estrutura para gerenciamento de pedidos, de entregas, de prazo.

Franquias

As franquias seguem como uma boa opção para quem quer empreender. Apesar da crise, o setor de franchising vem crescendo cerca de 8% ao ano nos últimos três anos. A própria crise gera demissões ou insegurança, o que leva as pessoas a buscar algo que tenha mais garantia de estabilidade. As franquias apresentam um índice de quebra ou fechamento menor do que negócios próprios.

Entre os diferenciais das franquias estão o fato de elas já oferecem um modelo de negócio pronto, que já foi testado e validado, e também já oferecem uma marca conhecida pelo público. Porém, você paga por isso e às vezes o preço pode ser mais alto por esta comodidade. Você paga a taxa de franquia, mensalmente paga os royalties.

Existem as microfranquias, com investimentos iniciais que podem chegar a R$ 10 mil, geralmente voltadas a prestação de serviços por não necessitarem de um ponto fixo de funcionamento, e o franqueado pode trabalhar de casa, por exemplo. Mas é preciso entender que se o investimento é baixo, o retorno também vai ser proporcional. Não existe um negócio que custe pouco, dê muito dinheiro e não dê trabalho, isso é ilusão.

Outro ponto importante antes de se tornar um franqueado é entender que você seguirá regras pré-estabelecidas. Comprar uma franquia não é para todo mundo porque você precisa seguir regras. Corre menos riscos, mas em compensação você abre mão de uma parcela de liberdade, e muitas pessoas não gostam de seguir regras dos outros.

Uma das dicas na hora de escolher a franquia é conversar com outros franqueados. O franqueador é um vendedor que quer que você compre a marca dele. Então é essencial saber se o que ele oferece é o que ele entrega. Conversar com outros franqueados ajuda nisso, você pode saber se o que eles oferecem realmente se concretiza, como o produto é aceito pelo público, se o retorno é o prometido. Fundamental uma pesquisa de mercado.

Algumas perguntas que podem ser feitas a estes franqueados: “Se ele pudesse voltar atrás, compraria a franquia? O que negociaria diferente? O que teria feito se tivesse, naquela época, as informações que tem hoje?”.

De acordo com a Lei 8.995, o franqueador deve disponibilizar ao futuro franqueado a Circular de Oferta de Franquia, documento que deve ser entregue pelo menos 10 dias antes de que qualquer contrato seja assinado ou pagamento feito. Nele devem conter as condições gerais do negócio, principalmente aspectos legais, obrigações, deveres e responsabilidades de cada parte. Este documento deve ser escrito de forma clara, eliminando o “juridiquês”, mas mesmo assim a orientação de um advogado é importante.

Ler este documento é obrigação de quem quer se tornar um franqueado. Com a ajuda de um advogado, passando ponto a ponto, ele tem mais pistas de se está ou não fazendo um bom negócio.

Espero ter ajudado um pouco nesse novo inicio de 2018!!




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